Raízen (Foto: Divulgação)

SÃO PAULO – O Morgan Stanley iniciou nesta quinta-feira (7) a cobertura das ações da Raízen (RAIZ4) com recomendação de compra e preço-alvo de R$ 9,70, o que implica potencial de alta de 36% ante o fechamento do pregão anterior.

Na avaliação do banco americano, a subsidiária da Cosan (CSAN3) oferece uma oportunidade de investimento diferenciada em energia na América Latina, com um portfólio escalável de projetos renováveis. Para os analistas, a empresa tem navegado “habilmente” em um “complexo negócio” de distribuição de combustíveis no Brasil, se destacando sob o ângulo ESG, de melhores práticas sociais, ambientais e de governança.

“O Brasil tem opções limitadas para obter exposição a energia limpa e renovável, e as ações da RAIZ4 oferecem uma oportunidade considerável, bem como crescimento material de longo prazo”, escreve o time de análise, em relatório.

No texto, os analistas destacam que, embora a empresa fique atrás, em rendimento e produtividade de cana-de-açúcar, de seu par mais eficiente São Martinho (SMTO3), a companhia pode ampliar seu foco no setor após a aquisição da Biosev.

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No médio e longo prazos, contudo, o time vê a Raízen se tornando líder em etanol de segunda geração (E2G), biocombustível que gera entre 80% e 90% menos emissões do que a gasolina comum.

“A Raízen está anos, senão décadas, à frente dos grandes e líquidos potenciais de energia renovável no país, alavancando seus principais volumes de comercialização de etanol e inteligência de preços”, avalia o Morgan Stanley.

Segundo o banco, embora não haja catalisadores claros de curto prazo, a crescente demanda por histórias lideradas por ESG pode impulsionar as ações da companhia e resultar em uma expansão múltipla, ao longo do tempo, das futuras perspectivas de crescimento.

“Com uma capitalização de mercado de US$ 13 bilhões e volume diário de negociação de US$ 13 milhões, RAIZ4 pode se tornar a escolha preferida [dos investidores], dada a escassez de outras oportunidades na região”, escrevem os analistas.

Na visão do banco, o valuation da companhia não está uma pechincha no momento, mas é visto como atrativo em uma base ajustada pelo crescimento e levando em consideração o retorno total de 42%, com um fluxo de dividendos “favorável”.

Cosan: bom nome, mas não é o preferido

O relatório do Morgan Stanley trata ainda da cobertura das ações da Cosan (CSAN3), cuja recomendação é equal-weight (em linha com a performance do mercado) e o preço-alvo, de R$ 29,50, o que implica upside de 28%.

Isso porque os analistas dizem preferir o valuation, a relação entre risco e retorno e a estratégia mais específica usada em nomes como Raízen e Rumo (RAIL3). “A Cosan melhorou sua estrutura corporativa e está exposta às mesmas tendências da Raízen e da Rumo, mas continua sendo uma entidade complexa”, avaliam.

Na visão do banco, a empresa tem exposição a uma boa combinação de negócios com alto perfil de geração de caixa, como distribuição de combustíveis e gás natural regulado, que dão suporte às frentes de crescimento em renováveis e gás natural e energia. Mas a preferência ainda recai sobre as ações de RAIZ4.

“Não temos dúvidas sobre a capacidade da administração da Cosan de gerar retornos positivos sobre esses investimentos, mas preferimos ter exposição a negócios mais focados no nível de avaliação atual.”

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