SÃO PAULO – O que você estava fazendo em 11 de setembro de 2001? Esta será, provavelmente, a pergunta mais repetida nas conversas deste sábado (11). A data é singular porque marca os 20 anos do que é considerado o ataque terrorista com o maior número de mortos da história, cujos fatos foram transmitidos ao vivo em escala global.

Os rumos do planeta mudaram após o choque premeditado de dois aviões Boeing 767 contra as torres do World Trade Center, em Nova York — uma terceira aeronave sequestrada atingiu o Pentágono (órgão da Defesa) e uma quarta caiu na zona rural do estado da Pensilvânia antes de seguir contra o alvo pretendido, o prédio do Capitólio (sede do Legislativo).

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na estabilização do Afeganistão, que deu espaço para o retorno do grupo extremista Talibã ao poder e vem pressionando o governo de Joe Biden junto à comunidade internacional.

Simão Silber, PhD em economia e professor da USP (Universidade de São Paulo), vê na ascensão do Talibã um indicativo de que “os movimentos radicais e fundamentalistas não diminuíram com o passar do tempo”.

“O Afeganistão pode virar um território para o planejamento de ataques terroristas internacionais, mas acredito que não daquela forma cinematográfica como foi em 11 de setembro por causa do aprimoramento das medidas de segurança”.

Para os especialistas, os riscos geopolíticos de hoje monitorados pelo mercado assumiram contornos mais complexos. “Um representante do Talibã participou de um encontro oficial na China. Isso significa muita coisa”, lembra Leonardo Weller, docente da FGV-SP (Fundação Getulio Vargas).

Oliver Wack, da Control Risks, observa que o fato é mais um caldo para “o crescimento de tensões geopolíticas, principalmente entre Estados Unidos e China, muito similares ao nível de atrito que tivemos na Guerra Fria”.

“São os dois países hoje que estão na disputa pelo domínio das principais tecnologias do mundo”, complementa Silber, da USP. “Com a China em grande ascensão”.

No mapa atualizado das tensões geopolíticas, Leonardo Weller diz que o mercado vem concentrando atenção no que será a Alemanha e a própria União Europeia com o fim do mandato de Angela Merkel. “Ela enfrentou as grandes crises, como a imigratória, mas perdeu a chance de liderar a grande reforma que o bloco necessita”.

Também estão sob a lupa dos estrategistas de mercado a ascensão de governos conservadores, como o de Recep Tayyip Erdogan, na Turquia. E fenômenos mais transnacionais, como o aquecimento global e a crise hídrica.

Mas há riscos, diz Silber, que são impossíveis de mensurar. “A pandemia de Covid-19 é um deles. Veja o estrago que um vírus fez na vida e na economia dos países”, finaliza.

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