SÃO PAULO – Uma combinação de perspectiva mais positiva para as commodities, com a confirmação de Joe Biden à presidência dos EUA e a perspectiva de estímulos fiscais com o Senado indo para o controle democrata, gerou uma verdadeira sessão de euforia para as ações das empresas de commodities na sessão.

Mas não foram só essas ações que subiram, como também a do setor bancário, em meio a uma migração de papéis de crescimento para o de valor. Além dessa notícia, informações sobre avanços em vacinas contra a Covid-19 no Brasil, após o governo de São Paulo divulgar o resultado final de 78% de eficácia da CoronaVac, também guiaram o dia positivo.

Já  o dólar à vista saltou 1,82%, a 5,3999 reais na venda, perto da máxima da sessão, de R$ 5,4125, na maior valorização percentual diária desde 23 de setembro (+2,18%) e o maior patamar de encerramento desde 23 de novembro (R$ 5,4353).

O rali da divisa no exterior e mais uma rodada de preocupações fiscais domésticas catapultaram a moeda norte-americana ante o real. Aqui, preocupações do lado fiscal vêm aumentando a pressão sobre o real. O deputado federal e presidente do MDB, Baleia Rossi (SP), lançou oficialmente na quarta-feira sua candidatura ao comando da Câmara dos Deputados, defendendo rejeição da submissão ao Poder Executivo e a prorrogação do auxílio emergencial em meio à pandemia do novo coronavírus.

Em meio a esse cenário de dólar alto e perspectiva positiva para commodities com mais estímulos fiscais do governo americano, a grande alta do dia ficou para a Suzano (SUZB3, R$ 62,49, +8,64%), seguida de perto pela Klabin (KLBN11, R$ 28,13, +7,61%). No radar da Suzano, um novo reajuste de preços de celulose, enquanto a Klabin precificou na quarta-feira uma captação de US$ 500 milhões em títulos sem garantia de 10 anos.

Vale (VALE3, R$ 102,32, +7,02%), a sua holding Bradespar (BRAP4, R$ 76,38, +8,28%) e siderúrgicas como Usiminas (USIM5, R$ 16,59, 5,53%), Gerdau (GGBR4, R$ 29,54, 5,54%) e CSN (CSNA3, R$ 38,53, +6,44%) tiveram um novo dia de disparada após a alta da véspera, com a Vale ultrapassando a impressionante marca de R$ 102. O minério de ferro com pureza de 62% negociado em Qingdao subiu 1,6%, a US$ 170,60 a tonelada.

No radar da mineradora brasileira, o governo de Minas Gerais marcou novas reuniões com a empresa para a próxima semana e busca fechar um acordo de reparação pelo desastre de Brumadinho (MG) antes de a tragédia completar dois anos, em 25 de janeiro, afirmou nesta quinta-feira o secretário-geral da administração estadual, Mateus Simões. Mais cedo nesta quinta-feira, foi realizada a primeira reunião do ano para tratar do acordo, onde “parte dos temas que estavam pendentes” foi superada, explicou Simões.

Já a Samarco, joint venture da Vale com o grupo BHP, realizará nos próximos dias seu primeiro embarque desde que retomou as atividades após cinco anos de paralisação em função do rompimento de uma barragem em Mariana (MG). O embarque, de 75 mil toneladas de pelotas de minério de ferro, terá como destino à Europa, informou a mineradora em nota à Reuters após ser consultada.

Leia também: Como a “Onda Azul” no Senado dos EUA reforçou ainda mais o movimento de rotação de ações na Bolsa brasileira

As ações da Petrobras (PETR3, R$ 31,65, +3,09%;PETR4, R$ 31,00, +3,09%), que fecharam em leve alta na véspera, subiram forte na sessão desta quinta, apesar do dia de leves variações para a cotação do petróleo, com alta de 0,41% para os contratos futuros de março do brent (US$ 54,52 o barril) e de 0,45% para o WTI (US$ 50,86). Na terça-feira, a commodity subiu 5% com o acordo da Opep+ para controle da produção (veja mais clicando aqui). A alta dos preços do petróleo também impulsiona os papéis da São Martinho (SMTO3, R$ 30,14, + 5,13%), com uma alta de mais de 5% após os ganhos de também 5% na véspera. O papel SMTO3 teve a recomendação elevada para equivalente à compra pelo Bradesco BBI.

Bancos também saltaram, como foi o caso de Banco do Brasil (BBAS3, R$ 39,56, +4,13%), Itaú (ITUB4, R$ 32,83, +4,06%), Santander Brasil (SANB11, R$ 46,38, +3,85%) e Bradesco (BBDC3, R$ 24,65, +2,84%; BBDC4, R$ 27,84, +2,84%).

O dia foi mais uma vez de pouco brilho para as ações de varejistas com exposição ao e-commerce, caso de Magazine Luiza (MGLU3, R$ 23,16, -1,19%), Via Varejo (VVAR3, R$ 15,08, -2,77%) e B2W (BTOW3, R$ 67,31, -1,61%) após uma queda expressiva na véspera, principalmente para os ativos BTOW3, em um verdadeiro movimento de rotações de ações, com os investidores olhando outros setores como mais atrativos na Bolsa, voltando-se agora mais para o exterior, enquanto papéis do setor de consumo doméstico tiveram queda.

Vale ressaltar que, ao contrário do movimento da véspera, quando as varejistas de e-commerce caíram na Bolsa brasileira em um movimento parecido com as techs americanas em meio aos temores de maior regulamentação e aumento de impostos, o Nasdaq, que concentra as ações de grandes empresas do setor, fechou em forte alta nesta sessão, de 2,56%.

Entre os setores com desempenho fraco apesar do dia de euforia na Bolsa, destaque também para os papéis do setor de shoppings, entre eles o Iguatemi (IGTA3, R$ 33,50 ,-1,09%). Conforme destaca a Levante, a partir do segundo semestre de 2020, a reabertura gradual dos shopping centers e a volta do movimento fizeram retornar também as cobranças de aluguéis e as despesas dos lojistas. Porém, o retorno das vendas vem em um ritmo mais lento que a volta das cobranças e com o índice de reajuste, o IGP-M, fechando o ano em 23% no ano (muito acima dos 3% do IPCA), as grandes redes entraram com ações na justiça contra os maiores shoppings do país.

“O ambiente de negócios parece estar piorando para as empresas de shopping centers (ALSO3, BRML3, IGTA3, MULT3), com ambos os lados (lojistas e administradoras) não tendo mais espaço para apertar suas finanças devido à retomada fraca das vendas”, aponta a equipe de análise. A notícia é negativa para os shopping centers, avaliam, indicando que a recuperação não está sendo como esperada e as restrições mais rígidas em abril e maio já possuem efeitos prolongados no resultado financeiro dos lojistas.

As ações da Cemig (CMIG4, R$ 14,27, -1,31%), fecharam em queda após chegarem a subir  3,32% mais cedo com a notícia de que venderá a sua participação na Light (LIGT3, R$ 23,51, +0,13%).

Confira os destaques:

Maiores altas

Ativo Variação % Valor (R$)
SUZB3 8.64047 62.49
BRAP4 8.27899 76.38
KLBN11 7.61285 28.13
VALE3 7.01809 102.32
CSNA3 6.43646 38.53

Maiores baixas

Ativo Variação % Valor (R$)
CVCB3 -3.64532 19.56
ENGI11 -3.56709 47.58
CPFE3 -3.44718 30.25
VVAR3 -2.7724 15.08
VIVT3 -2.44444 43.9

Vale (VALE3, R$ 102,32, +7,02%)

No radar da mineradora brasileira, o governo de Minas Gerais marcou novas reuniões com a empresa para a próxima semana e busca fechar um acordo de reparação pelo desastre de Brumadinho (MG) antes de a tragédia completar dois anos, em 25 de janeiro, afirmou nesta quinta-feira o secretário-geral da administração estadual, Mateus Simões. Mais cedo nesta quinta-feira, foi realizada a primeira reunião do ano para tratar do acordo, onde “parte dos temas que estavam pendentes” foi superada, explicou Simões.

Já a Samarco, joint venture da Vale com o grupo BHP, realizará nos próximos dias seu primeiro embarque desde que retomou as atividades após cinco anos de paralisação em função do rompimento de uma barragem em Mariana (MG). O embarque, de 75 mil toneladas de pelotas de minério de ferro, terá como destino à Europa, informou a mineradora em nota à Reuters após ser consultada.

“Continuamos acreditando que faz sentido que todas as partes cheguem a um acordo final e abrangente que ponha fim às disputas judiciais de Brumadinho. No entanto, o processo para chegar a um acordo final pode demorar um pouco mais e custar à Vale mais do que alguns participantes do mercado podem estar esperando. Acreditamos que provavelmente ficará acima da estimativa preliminar da empresa de US$ 1,4 bilhão. Em nosso modelo, incluímos um acordo adicional de US $ 4 bilhões (por exemplo, acima e além das disposições já tomadas) para um possível acordo no primeiro trimestre de 2021”, avalia o Morgan Stanley.

Suzano (SUZB3, R$ 62,49, +8,64%)

A Suzano anunciou um novo preço de US$ 600 a tonelada da celulose de fibra curta, uma alta de US$ 50 a tonelada, para vendas no Sudeste Asiático e Oriente Médio, com vigência imediata, aponta o Bradesco BBI, citando informações do site especializado RISI. As informações são de que o aumento foi impulsionado pelo aumento dos custos de remessa e pela disponibilidade limitada de remessa para algumas regiões.

No início de dezembro, a Suzano já havia definido um aumento de preço para US$ 550 a tonelada. As condições de mercado mais apertadas em algumas regiões e os custos de remessa mais altos criaram a base para os aumentos nos preços da celulose.

“A Suzano é nossa principal escolha no setor de papel e celulose da América Latina. Prevemos um mercado de celulose restrito em 2021, apoiado pelo crescimento da demanda (principalmente na China por enquanto, mas esperamos que se espalhe para outras regiões durante 2021, especialmente com o enfraquecimento da pandemia de Covid-19), preços de papel mais altos e oferta mais fraca do que a esperada. Projetamos preços médios de celulose de fibra curta em US$ 570 a tonelada em 2021 (para a China, valor líquido)”, aponta o BBI. Os analistas do BBI possuem recomendação outperform (desempenho acima da média do mercado) com preço-alvo de R$ 70, o que configura um potencial de valorização de 21,70% em relação ao fechamento da véspera.

MRV (MRVE3, R$ 17,95, +0,11%)

A MRV informou nesta quarta-feira que concluiu a venda do empreendimento Deering Groves, em Miami, com valor geral de venda (VGV) de US$ 57 milhões. O ativo tem previsão de geração de caixa de US$ 21 milhões de dólares, com base no lucro operacional projetado após 12 meses de estabilização.

Esta é a primeira venda de um empreendimento da subsidiária da MRV nos EUA, a AHS Residential. O Deering Groves fazia parte de um grupo de sete empreendimentos, com um total de 1.450 unidades e cerca de US$ 306 milhões de VGV.

Cogna (COGN3, R$ 4,62, +2,21%)

A Cogna prestou esclarecimentos ao mercado diante da notícia veiculada no Jornal Valor Econômico nesta data e confirmou que se encontra em tratativas para potencial transação envolvendo tanto a compra quanto a venda de determinados ativos educacionais entre a Eleva Educação S.A, de um lado, e subsidiárias diretas ou indiretas da Cogna, de outro lado.

“A transação poderá envolver a venda de determinadas escolas controladas direta ou indiretamente pela Saber à Eleva, bem como a aquisição de sistema de ensino detido pela Eleva pela Somos Sistemas de Ensino S.A., sociedade controlada pela Cogna e pela Vasta Platform Limited. A Cogna e a Saber informam ainda que nenhum documento vinculante a respeito da transação foi assinado até a presente data e que não há qualquer garantia de que um acordo será alcançado entre as partes”, aponta a companhia em comunicado.

Klabin (KLBN11, R$ 28,13, +7,61%)

A fabricante de papelão e celulose Klabin precificou nesta quarta-feira uma captação de US$ 500 milhões em títulos sem garantia de 10 anos, informou o IFR, serviço da Refinitiv.

Com demanda de investidores de cerca de US$ 4 bilhões, a rentabilidade sugerida ao investidor caiu da faixa de 3,75% para 3,2%. Os papéis são atrelados a metas de sustentabilidade, como reutilização e reciclagem de água e a reintrodução e reforço de espécies aquáticas no ecossistema.

Os recursos da transação, feita por meio da subsidiária Klabin Austria GmbH, serão usados para refinanciar dívidas e propósitos corporativos gerais. A emissão é coordenada por Bank of America, Bradesco BBI, Citi, Itaú BBA, JPMorgan e Morgan Stanley.

Cemig (CMIG4, R$ 14,27, -1,31%) e Light (LIGT3, R$ 23,51, +0,13%)

A Light  anunciou que seu conselho de administração aprovou a realização de uma oferta pública de ações primária e secundária que envolverá um total de 137,24 milhões de ações ordinárias.

Em paralelo, a estatal mineira Cemig, que detém 22,6% de participação na Light, disse que venderá 68,62 milhões de papéis da empresa em meio à oferta. Com o movimento, ela deixaria de ser acionista da elétrica fluminense, da qual já foi controladora.

Se considerado o valor de fechamento das ações da Light na quarta-feira, de R$ 23,48, a oferta poderia movimentar um total de cerca de R$ 3,2 bilhões. A venda da fatia da Cemig renderia cerca de R$ 1,6 bilhão aos cofres da empresa de energia controlada pelo governo de Minas Gerais.

A fixação do preço por ação para a oferta está prevista para 19 de janeiro, segundo cronograma estimado divulgado pela Light. As ações devem começar a ser negociadas no Novo Mercado da bolsa B3 em 21 de janeiro.

A Light disse que os recursos provenientes da oferta serão destinados “para fortalecimento e otimização de sua estrutura de capital, reduzindo assim o seu nível de endividamento e melhorando sua posição de caixa”. Já a Cemig afirmou que a venda de suas ações na Light por meio da oferta secundária “se insere no contexto da execução do Programa de Desinvestimentos” da companhia.

São Martinho (SMTO3)

O Bradesco BBI elevou a recomendação para as ações da São Martinho de neutra para outperform (desempenho acima da média do mercado), destacando que o rali dos preços de petróleo não foi totalmente precificado pela companhia produtora de açúcar e álcool. O preço-alvo foi elevado de R$ 26 para R$ 36, o que configura um potencial de valorização de 26% em relação ao fechamento da véspera, a R$ 28,67 – na última sessão, os papéis já haviam subido cerca de 5%.

“Acreditamos que a ação ainda não está refletindo a recente alta do preço do petróleo (com a reabertura da economia global mais o acordo da OPEP + para restringir a produção) e seu benefício nos preços do açúcar preços”, apontam, revisando a estimativa dos lucros para cima.

O Bradesco BBI também afirma que os preços do açúcar vêm subindo devido ao impacto do clima sobre as lavouras de cana em Tailândia e na Europa, além de vírus afetando lavouras na Europa. Por isso, há perspectiva de falta de 5 milhões de toneladas do produto em 2020 e 2021 e de 6 milhões no período de 2021 e 2022.

Em seu modelo, o banco afirma que incorporou um preço de US$ 55 por barril de petróleo, frente os US$ 45 por barril anteriores, e elevou em 25% a previsão de preços para o açúcar. Consequentemente, elevou a estimativa para o lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda) em 17% para o período de 2020 e 2021 e de 27% para 2021 e 2022, cerca de 15% acima do consenso.

Na avaliação do banco, a perspectiva de alta do preço do petróleo deve levar a altas nos preços da gasolina no Brasil o que, por sua vez, abre espaço para a alta do preço do etanol. Consequentemente, o banco ampliou a previsão para o preço de etanol da São Martinho para R$ 2 por litro para o período de 2020/2021, e R$ 2,6 por litro para 2021/2022.

A petroquímica Braskem informou que sua controlada Braskem Idesa retomou parcialmente a produção de polietileno com base em um modelo de negócio experimental para a indústria plástica mexicana.

A empresa disse que tomou medidas legais dentro do contrato de fornecimento de etano com a Pemex, para preservar direitos no cumprimento de obrigações “visando a proteção do seu investimento no México”. As medidas preveem um período de remediação e negociação para buscar uma solução entre as partes.

A empresa acrescentou ainda que Idesa segue sujeita à interrupção do serviço de transporte de gás natural e não sabe quando haverá o retorno integral das suas atividades.

SLC (SLCE3) e Terra Santa (TESA3)

A SLC Agrícola recebeu aprovação sem restrições do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para a aquisição da totalidade da Terra Santa Agro, segundo publicação do órgão no Diário Oficial da União desta quinta-feira.

A SLC divulgou no final de novembro passado a assinatura de um memorando de entendimento com termos e condições para assumir as operações da Terra Santa Agro, em transação avaliada em R$ 550 milhões de reais.

O negócio envolverá uma reorganização societária prévia da Terra Santa Agro, que criará um veículo (TS LAndCo) para segregar ativos e passivos vinculados às propriedades rurais da companhia, que estarão excluídos da operação.

“Com isso, a presente operação abrange parcialmente as atividades da Terra Santa, focando-se nas atividades de produção e comercialização de soja, milho e algodão”, explicou o Cade em parecer sobre o negócio. Para o órgão, a compra “não levanta maior preocupações em termos concorrenciais” e foi aprovada em rito sumário, sem restrições.

A SLC informou em novembro que a compra da Terra Santa será feita por incorporação de ações e que a relação de troca na transação deverá considerar um valor líquido de R$ 65 milhões, enquanto o valor remanescente da operação equivale a assunção de dívida e/ou caixa.

A empresa de gás e energia elétrica Eneva teve expansão das reservas certificadas em 2020 nas bacias do Parnaíba e do Amazonas. As reservas de gás da empresa na bacia do Parnaíba, onde estão os seus principais ativos, fecharam o ano passado em 25,976 bilhões de metros cúbicos ante 24,072 bilhões de m³ no fim de 2019.

A Petrobras elevará o gás liquefeito de petróleo (GLP), conhecido como gás de cozinha, em 6% a partir desta quinta-feira, segundo a assessoria de imprensa da empresa. Com o reajuste, o valor praticado pela Petrobras irá a R$ 35,98 por 13kg.

(Com Reuters, Bloomberg e Agência Estado)

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