As inovações tecnológicas levadas pela Nike aos pés de seus atletas encontram, mais uma vez, recordes e polêmicas. Desta vez, o alvo é o tênis de pista (com pinos) ZoomX Dragonfly, que a empresa se vangloria de ser o mais rápido do mundo.

Com o calçado, o ugandense Joshua Cheptegei quebrou a marca dos 10.000 metros e a etíope Letesenbet Gidey, dos 5.000 metros em Valencia, em outubro do ano passado.

Cheptegei disse que os tênis o ajudaram, mas não foram o motivo de seu sucesso. “Os calçados realmente ajudam, mas nesse caso não estavam disponíveis só para mim. Estavam disponíveis para todos que quiserem atacar o recorde mundial”, afirmou.

“Você já nomes como Yomif Kejelcha, Selemon Barega… não é somente sobre os sapatos, mas sobre atletas terem esse período de concentração mais no treinamento e não viajando”, acrescentou. “Eu estava focado em apenas uma coisa, que era quebrar o recorde mundial.”

Os recordes levantam novamente a polêmica do doping tecnológico, dispensada pelo presidente da federação internacional de atletismo, a World Athletics, Sebastian Coe. O caso atual lembra a sequência de recordes em longa distância quebrados por atletas da Nike, que levou a World Athletics a endurecer as normas, deixando mais claro o que é permitido.

Para qualquer tipo de tênis, o solado não pode ter mais do que 40 milímetros e possuir mais do que uma placa de qualquer material (a inovação mais recente são as de carbono). Para aqueles com pinos, uma placa adicional ou outro mecanismo é permitido, mas com único propósito de fixar os pinos na sola –que, neste caso, não pode ter mais do que 30 milímetros.

A organização chegou a exigir que os calçados estivessem disponíveis para todos os atletas, banindo o uso de protótipos (caso da maioria, senão todos, os recordes de atletas da Nike). Em dezembro do ano passado, porém, voltou atrás, desde que esses tênis estejam de acordo com as normas estabelecidas pela World Athletics.

Para Coe, medidas mais duras para conter a pesquisa e o desenvolvimento de calçados sufocariam a inovação. “No momento, estou bem tranquilo quanto a isso. E o equilíbrio do julgamento aqui é sempre […] que não deveríamos estar no negócio de tentar sufocar a inovação”, afirmou ao jornal britânico The Guardian.

O presidente da World Athletics disse que vê com bons olhos o fato dessas empresas ainda investirem muitos recursos em pesquisa e desenvolvimento de calçados. Coe acrescentou ainda que o esporte não chegou a um ponto em que “recordes estão sendo distribuídos como confetes”. “Eu lembro de um período em meados dos anos 2000 em que a Adidas era a rainha do pódio, então essas coisas vêm em ciclos.”

Também negou que essa sucessiva quebra de marcas enfraqueçam o esporte. “Se volto aos anos 1930, eu ainda admiro Rudolf Harbi, que correu 800 metros em 1min46seg em uma pista de concreto”, afirmou ao jornal britânico. “Enquanto isso, Derek Clayton bateu o recorde mundial da maratona [2:09:36] com sapatos que você não usaria para passear no parque.”

(Com Reuters)

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