A eleição para ao Senado na Georgia em segundo turno, que aconteceu na última terça-feira (5), é acompanhada de perto pelos investidores.

Com 98% das urnas apuradas, veículos de imprensa americanos, como CNN, CBS, Associated Press e CNBC, apontam a vitória do democrata Raphael Warnock contra a republicana Kelly Loeffler, por 50,6% a 49,4%. A disputa pela outra vaga, entre o democrata Jon Ossoff e o republicano David Perdue, segue em aberto, com pequena vantagem para Ossoff, por 50,1% a 49,9%.

A disputa nas urnas foi para o segundo turno porque nenhum deles obteve mais de 50% dos votos em 3 de novembro.

O resultado tem poder para impactar toda a estrutura do futuro governo do democrata Joe Biden. Isso porque até a eleição, o democratas tinham a maioria da Câmara do Representantes (similar à Câmara dos Deputados no Brasil), enquanto o Senado era comandado pelos republicanos. Essa divisão entre as Casas é importante porque traz ponderação para o governo, já que um presidente não terá facilidade de passar qualquer projeto que quiser.

O Senado atualmente é dividido em 50 cadeiras para os republicanos, 46 para os democratas, dois independentes (que costumam votar com os democratas) e duas cadeiras vagas a serem definidas pelo segundo turno da Geórgia.

Se os democratas conseguirem vencer as duas cadeiras em disputa, irão empatar com os republicanos no controle do Senado. Nos EUA, porém, quem decide as votações na Casa em casos de empate é o vice-presidente, que agora será Kamala Harris, deixando os democratas com o poder de decisão.

Em meio às perspectivas de controle do Senado pelos democratas, os índices futuros americanos registram queda, com destaque para o Nasdaq com vencimento em março, com baixa de 1,82%, enquanto o Dow Jones tem queda de 0,01% e o S&P500 baixa de 0,46%, às 6h55 (horário de Brasília).

Há um temor entre os investidores de que um Senado controlado pelos democratas possa levar a impostos corporativos mais altos e regulamentações mais rígidas sobre as empresas, o que pode pesar no mercado. No entanto, esse resultado também poderia facilitar a aprovação de estímulos fiscais adicionais, que impulsionariam as empresas mais afetadas pela pandemia do coronavírus.

“O consenso parece acreditar qu,  se os democratas ganharem as duas cadeiras, isso será negativo para as ações por causa do risco de impostos mais altos”, apontou Tom Lee, chefe de pesquisa da Fundstrat Global Advisors, em nota. “Mas as expectativas do mercado sobre o resultado das eleições não são realmente um direcionador. Eu não sei o futuro, mas para mim, a ‘incerteza’ da eleição é indiscutivelmente algo maior do que o resultado real”, complementou.

John Stoltzfus, da Oppenheimer, disse em nota na segunda-feira que o S&P 500 poderia sofrer uma correção de 10% se os dois candidatos democratas vencessem as eleições de segundo turno.

Mas Mark Haefele, CIO do UBS Global Wealth Management, disse que uma legislação ultra-progressista não é uma garantia, mesmo que os candidatos democratas ganhem o segundo turno já que, entre os democratas, há alguns moderados que não votariam necessariamente em todas as propostas de políticas de Biden. “Outro ponto a considerar é que haverá uma eleição de meio de mandato em 2022, e o partido do presidente em exercício normalmente perde assentos no Congresso”.

Quer migrar para uma das profissões mais bem remuneradas do país e ter a chance de trabalhar na rede da XP Inc.? Clique aqui e assista à série gratuita Carreira no Mercado Financeiro!



Fonte