As maiores empresas de tecnologia dos Estados Unidos foram às compras neste ano, apesar do intenso escrutínio de reguladores da concorrência e críticos, segundo os quais essas gigantes aumentaram seu poder adquirindo rivais novatas.

O número de aquisições pelas cinco maiores empresas – Amazon.com, Apple, Google, da Alphabet, Facebook e Microsoft – até junho ocorreu no ritmo mais rápido desde 2015, segundo dados compilados pela Bloomberg.

Os acordos de tecnologia foram acelerados mesmo diante da maior vigilância antitruste sob o governo Trump. Autoridades federais estão investigando Google, Facebook, Apple e Amazon por violações antitruste, e o Departamento de Justiça dos EUA, sob o procurador-geral Willliam Barr, deve abrir um processo sobre monopolização contra o Google nas próximas semanas. Google e Facebook também enfrentam investigações de procuradores-gerais estaduais.

Um painel da Câmara dos Deputados dos EUA também conduz uma investigação sobre o estado da concorrência no setor de tecnologia, e os CEOs da Amazon, Facebook, Google e Apple devem prestar depoimento em audiência virtual na quarta-feira.

Até 30 de junho, as cinco empresas anunciaram 27 acordos, segundo dados compilados pela Bloomberg, um aumento de 29% em relação ao mesmo período do ano passado, quando fecharam 21 negócios.

A aceleração dos acordos no setor de tecnologia pode dar munição a economistas, advogados e congressistas que alertam que as empresas de tecnologia usaram seu capital abundante para obter vantagem sobre concorrentes e aumentar as já altas participações de mercado.

“Até que exista alguma fiscalização nessa área, as empresas provavelmente acharão que podem se livrar e, se puderem, provavelmente tentarão”, disse o professor de direito da Universidade de Nova York, Scott Hemphill.

Uma preocupação ainda maior é que gigantes de tecnologia estejam potencialmente sufocando a concorrência adquirindo empresas que, embora pequenas, possam um dia emergir como rivais fortes. Afinal, todas as gigantes da tecnologia já foram startups.

As transações deste ano incluem a compra da Giphy, uma biblioteca de videoclipes e imagens animadas, por US$ 400 milhões pelo Facebook; a oferta pendente da Amazon para startup de veículos autônomos Zoox; e a aquisição do aplicativo climático Dark Sky pela Apple. Os valores não foram divulgados na maioria dos casos, tornando impossível saber com precisão quanto dinheiro as empresas estão gastando. A Amazon, por exemplo, concordou em pagar mais de US$ 1 bilhão pela Zoox, de acordo com o The Information, mas não divulgou os termos aos investidores.

A Amazon disse que seu volume de acordos como porcentagem da receita é baixo comparado ao de muitas outras empresas e destacou que está expandindo os negócios principalmente internamente, e não por meio de aquisições. Porta-vozes das outras empresas não quiseram comentar.

©2020 Bloomberg L.P.



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